Eu não leio jornais. Eventualmente dou uma folheada em algum para passar o tempo quando estou numa sala de espera. Eu também não leio revistas. Já fui assinante de algumas. Não sou do tipo que se interessa muito pelas notícias que são oferecidas por aí. Já fui de assistir mais aos noticiários da TV. Ultimamente percebo que também estes me interessam cada vez menos. Resumindo, as notícias giram sempre em torno da mesma coisa: crise econômica, violência, corrupção, acidentes de transito, querelas políticas... Tudo isso em meio aos apelos publicitários de: consuma, consuma, consuma. Enfim, a mensagem é a seguinte: o mundo está uma droga, a sua vida é um lixo sem muitas perspectivas, a crise vai acabar com tudo, lá fora se alguém não te assaltar certamente você pode morrer no trânsito, o planeta está prestes a entrar em colapso... Mas, se você comprar este carro ou usar aquele sabonete, a felicidade novamente reinará, seus olhos brilharão e o seu peito se encherá de esperança... “Vamos jogar bola”.
Na linguagem da internet, eu deveria deixar agora uma série de interrogações (?????). É... Não dá pra entender algumas coisas! Talvez você já esteja pensando em parar de ler este texto. Algumas pessoas me dizem que não devemos nos preocupar com “isso”. Desculpem-me! É que eu não consigo escutar outra coisa senão: “Você tem razão, mas, finja!” Puxa! Não é que eu não seja bom em fingir, modéstia à parte, eu até que aprendi bem essa lição na tal escola da vida! Afinal de contas, sou humano também, não é mesmo!? É uma questão de sobrevivência diriam alguns! Mas, é que tem umas coisas que não dá, entende!? Por mais que queiramos fazer da hipocrisia uma arte, saber que a realidade é outra, incomoda.
Pouco tempo atrás alguém me perguntou se eu já tinha parado de brigar comigo mesmo. Não sou bom em falar sobre algumas coisas. Respondi com alguma coisa idiota e que transmitisse a mensagem “assunto encerrado”. Na verdade, nem havia ainda começado. Penso que preservo as pessoas. “Você é muito pessimista”, ouço. Responder que sou realista é mesmo a realidade ou ilusão? Dizem que as pessoas acreditam naquilo que elas escolhem acreditar. Em seu sermão da montanha Jesus disse, entre outras coisas, algumas frases que parecem bastante enigmáticas: “Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mateus 6:22-23). Só lembrei-me desta passagem enquanto já escrevia este texto. Nem sei se faz algum sentido aqui. Mas, fico no compromisso contigo, leitor, de estudar os versos de Jesus e tentar trazer o significado no próximo artigo. Eu pensei em terminar com uma coisa que, depois me pareceu cínico demais. Vetei.
sábado, 26 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
Mais Um Esboço
A maioria dos textos postados neste blog foram originalmente publicados nas edições de domingo do Jornal Diário Popular de Pelotas. É geralmente na segunda ou na terça-feira que antecede o domingo em que este artigo é publicado, que eu tiro um tempo para escrever o texto. Nesta manhã de terça-feira em meu escritório ouço, como sempre, o barulho dos carros, pessoas indo para o seu trabalho, adolescentes passando em direção ao colégio, cachorros latindo ao longe, ruídos de obras em algum prédio ou residência na vizinhança. O sol ainda não surgiu e a cerração cobre a cidade. Sem muita inspiração, de repente, flagrei-me a pensar sobre o que faria alguém parar para ler mais um texto em meio a tantos outros que surgem diante de nós todos os dias. É desnecessário repetir que vivemos numa era da informação e que o Brasil é também um país plurirreligioso. Portanto, o que levaria alguém a, em pleno domingo, entre tantas possibilidades, diante de tantos textos e programas disponíveis, parar para ler aquilo que é somente mais um texto religioso?Eu não faço a mínima ideia de quais seriam as respostas a esta pergunta. Posso supor algumas. Até porque, não posso imaginar por quem e onde este texto é lido. Sei de algumas pessoas, é claro. Mas, diferente de um blog, a interatividade com o texto impresso acaba sendo mais limitado. Embora o meu e-mail acompanhe o texto todos os domingos, são pouquíssimas as pessoas que fazem algum contato, seja para oferecer algum elogio, tirar alguma dúvida ou mesmo fazer qualquer crítica. Até mesmo aqui no blog os comentários são raros. Este “silêncio” é, por vezes, perturbador. Isso, talvez, porque acabo com a sensação de que estou falando sozinho. Não conheço ninguém que goste de falar sozinho. E, daí, para concluir com as perguntas que já apresentei acima é apenas um passo. Afinal, que diferença faz mais um texto entre tantos? Como eu não posso responder por aqueles que me leem ou, por aqueles que não me leem, vou falar um pouco sobre uma questão à qual eu posso responder: Por que eu escrevo e faço as outras coisas que faço?
Em primeiro lugar, eu acredito em algo. Sem acreditar ninguém ousaria oferecer nenhum discurso. Mas, ao mesmo tempo, isso não significa que acreditar é comprometer-se com uma verdade fechada, congelada, pronta. Como um ser humano falho e limitado, sou como um rascunho diante de Deus. Um esboço que sempre de novo precisa de correção. É assim, portanto, que eu escrevo. Não poderia ser diferente. Apresento rascunhos passíveis de correção sobre lições e experiências de vida que tenho experimentado na minha trajetória de fé. Certezas? Tenho poucas. Mas, aquelas que eu tenho, são suficientes para me fazer prosseguir. Deus me ama e tem cuidado de mim apesar de mim. E, lá fora, por todos os lugares, existem pessoas que podem encarar a vida por uma nova perspectiva a partir do momento em que se derem conta desta singela verdade! Por isso, continuo a falar, insisto em mais um texto. Para dizer novamente: Deus te ama... Mesmo!
domingo, 13 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
O Sal de Assis
No distante século XII, na cidade de Assis, na Itália, nasceu uma criança, filho de um rico comerciante de tecidos. Em homenagem à França, que era para onde seu pai viajava frequentemente para buscar mercadorias, aquele menino recebeu o nome de Francisco. A criança cresceu num lar onde nada lhe faltava. Quando jovem, aproveitava para buscar alegria nas noites e suas festas, banquetes e serenatas. Era muito extravagante e popular. Em busca de fama e de mais dinheiro foi para uma guerra na Perúsia. As coisas não saíram tão bem como ele esperava e, acabou prisioneiro. Após ser libertado voltou para casa, mas, as coisas não seriam mais as mesmas. Fragilizado pela guerra e pelo tempo na prisão, Francisco passou a comportar-se de maneira diferente. Rejeita o dinheiro e as coisas que antes pareciam lhe dar prazer. Entrou em conflito com o pai ao vender todas as coisas e passou a ajudar os pobres e leprosos. Francisco foi deserdado e aos 25 anos rejeita voluntariamente todos os benefícios da casa paterna.
Tudo o que aquele jovem desejava era dedicar-se à oração e buscar uma vida mais semelhante a de Cristo. Diferente do que era comum na igreja, foi original ao afirmar a bondade da Criação de Deus. Por isso é considerado também por muitos como o santo patrono dos animais e do meio ambiente. Era também um apreciador das artes que considerava útil no cultivo da devoção. Francisco deu sinais de que compreendeu que o papel de um cristão neste mundo não se resume a esperar pela volta de Cristo ou por um mundo no além. O Reino de Deus já começou e os cristãos são chamados para viverem como exemplo e sinal deste reino num mundo caído e que sofre os males do pecado.
Jesus disse que os cristãos são sal da terra e luz do mundo (Mateus 5. 13-14). O sal salga simplesmente porque isso é da sua natureza. A luz ilumina porque é da sua essência. Nenhuma lei precisa ser imposta para fazer com que o sal e a luz cumpram o seu propósito. Se não salgar, não é sal. Se não iluminar, não é luz. O que Jesus está falando não é algo a ser acrescentado à prática de alguém, não se trata de uma ordem que torna alguém um religioso melhor. Jesus está se referindo à essência, à propriedade do que é ser um cristão. Embora não se saiba ao certo a autoria, a famosa oração da paz foi sendo identificada como a oração de São Francisco, talvez, por refletir o estilo de vida e a opção de Francisco. Ela reflete também, a inquietação que só pode partir de um coração genuinamente cristão, de alguém que sabe que não deve permanecer insípido e nem escondido debaixo de um balde virado:
“Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e é morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém”.
Tudo o que aquele jovem desejava era dedicar-se à oração e buscar uma vida mais semelhante a de Cristo. Diferente do que era comum na igreja, foi original ao afirmar a bondade da Criação de Deus. Por isso é considerado também por muitos como o santo patrono dos animais e do meio ambiente. Era também um apreciador das artes que considerava útil no cultivo da devoção. Francisco deu sinais de que compreendeu que o papel de um cristão neste mundo não se resume a esperar pela volta de Cristo ou por um mundo no além. O Reino de Deus já começou e os cristãos são chamados para viverem como exemplo e sinal deste reino num mundo caído e que sofre os males do pecado.
Jesus disse que os cristãos são sal da terra e luz do mundo (Mateus 5. 13-14). O sal salga simplesmente porque isso é da sua natureza. A luz ilumina porque é da sua essência. Nenhuma lei precisa ser imposta para fazer com que o sal e a luz cumpram o seu propósito. Se não salgar, não é sal. Se não iluminar, não é luz. O que Jesus está falando não é algo a ser acrescentado à prática de alguém, não se trata de uma ordem que torna alguém um religioso melhor. Jesus está se referindo à essência, à propriedade do que é ser um cristão. Embora não se saiba ao certo a autoria, a famosa oração da paz foi sendo identificada como a oração de São Francisco, talvez, por refletir o estilo de vida e a opção de Francisco. Ela reflete também, a inquietação que só pode partir de um coração genuinamente cristão, de alguém que sabe que não deve permanecer insípido e nem escondido debaixo de um balde virado:
“Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e é morrendo, que se vive para a vida eterna!Amém”.
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terça-feira, 1 de maio de 2012
"...o que de Deus se pode conhecer..."
Quando Terrence Malick produzia seu último filme, A Árvore da Vida, ele provavelmente tinha em mente também as palavras do Apóstolo Paulo que declara em sua carta aos Romanos que “desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:20). Quem já viu o filme entende porque digo isto. As longas tomadas enfocando a natureza, com as árvores, os rios, oceanos e animais... As galáxias com suas estrelas, planetas e satélites. Se não somos capazes de abrir mão da lógica para admitir que um simples objeto diante de nós poderia ter surgido por acaso, como deixar de ver a mão de Deus em todas as coisas?
A Árvore da Vida, que tem Brad Pitt e Sean Penn como atores mais conhecidos do público, ganhou em 2011 o prêmio de melhor Filme do Festival de Cannes. Trata-se de um filme que tem dividido opiniões. Poderíamos dizer que este é um filme difícil. É um longa com mais de duas horas de duração. Exige atenção e paciência do espectador. Numa família dos anos 50 a morte de um jovem e as lembranças do passado levam a questionamentos sobre Deus e o sentido da vida. Qual é a tua maneira de viver? Pelo caminho da natureza ou pelo caminho da graça? Muitos sequer imaginam a diferença que isso faz! Um olhar atento pode gerar reflexões profundas e levar o expectador à contemplação de algo que transcende a sua existência.
Veja este filme quando você tiver tempo. Uma dica é vê-lo quando estiveres só ou, no máximo com mais uma pessoa. Tente libertar-se um pouco do padrão hollywoodiano. Este não é um filme de meros mocinhos e bandidos com roteiro previsível. Vai exigir um pouco mais. Esteja pronto para contemplar! Prepara-se, não para fugir da realidade por duas horas, mas, para confrontar-se com ela. Afinal, o que poderíamos responder diante de tais questões? “Onde você estava quando criei a terra? Enquanto as estrelas da manhã cantavam e todos os anjos entoavam louvor?” (Jó 38. 4,7).
Quem gosta de música clássica; aquele que não se importa em passar tempo ouvindo as pessoas; quem admira a paisagem; aqueles que gostam de observar o pôr do sol ou quando ele nasce; quem busca os mirantes para contemplar a grandeza da criação; aqueles que param para dar atenção a uma criança e brincam com ela; aqueles que ainda desfrutam de um jantar em família; aqueles que saem à noite para admirar as estrelas; quem cultiva uma horta... Essas são pessoas que provavelmente terão menos dificuldades para assistir A Árvore da Vida e compreender a sua mensagem. Mas, sem dúvida alguma, todos nós somos capazes de “ver claramente” e fazer as nossas próprias escolhas!
Dicas para ajudar você a assistir A Árvore da Vida:
Uma crítica: do site Omelete.
Uma orientação: O Professor Guilherme de Carvalho escreve sobre Como assistir A Arvore da Vida.
Um deslumbramento: O apresentador Zeca Camargo compartilha suas impressões sobre A Árvore da Vida.
A Árvore da Vida, que tem Brad Pitt e Sean Penn como atores mais conhecidos do público, ganhou em 2011 o prêmio de melhor Filme do Festival de Cannes. Trata-se de um filme que tem dividido opiniões. Poderíamos dizer que este é um filme difícil. É um longa com mais de duas horas de duração. Exige atenção e paciência do espectador. Numa família dos anos 50 a morte de um jovem e as lembranças do passado levam a questionamentos sobre Deus e o sentido da vida. Qual é a tua maneira de viver? Pelo caminho da natureza ou pelo caminho da graça? Muitos sequer imaginam a diferença que isso faz! Um olhar atento pode gerar reflexões profundas e levar o expectador à contemplação de algo que transcende a sua existência.
Veja este filme quando você tiver tempo. Uma dica é vê-lo quando estiveres só ou, no máximo com mais uma pessoa. Tente libertar-se um pouco do padrão hollywoodiano. Este não é um filme de meros mocinhos e bandidos com roteiro previsível. Vai exigir um pouco mais. Esteja pronto para contemplar! Prepara-se, não para fugir da realidade por duas horas, mas, para confrontar-se com ela. Afinal, o que poderíamos responder diante de tais questões? “Onde você estava quando criei a terra? Enquanto as estrelas da manhã cantavam e todos os anjos entoavam louvor?” (Jó 38. 4,7).
Quem gosta de música clássica; aquele que não se importa em passar tempo ouvindo as pessoas; quem admira a paisagem; aqueles que gostam de observar o pôr do sol ou quando ele nasce; quem busca os mirantes para contemplar a grandeza da criação; aqueles que param para dar atenção a uma criança e brincam com ela; aqueles que ainda desfrutam de um jantar em família; aqueles que saem à noite para admirar as estrelas; quem cultiva uma horta... Essas são pessoas que provavelmente terão menos dificuldades para assistir A Árvore da Vida e compreender a sua mensagem. Mas, sem dúvida alguma, todos nós somos capazes de “ver claramente” e fazer as nossas próprias escolhas!
Dicas para ajudar você a assistir A Árvore da Vida:
Uma crítica: do site Omelete.
Uma orientação: O Professor Guilherme de Carvalho escreve sobre Como assistir A Arvore da Vida.
Um deslumbramento: O apresentador Zeca Camargo compartilha suas impressões sobre A Árvore da Vida.
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Vislumbres
Especialmente quando eu ainda era adolescente, costumava viajar na imaginação quando pensava sobre o Universo. Uma coisa que me intrigava era como tudo começou. Sem a sistematização que posso fazer hoje, apenas ficava observando o céu e imaginando até onde tudo aquilo poderia ir. Afinal, tudo o que eu conhecia tinha uma causa. Como ir regredindo no tempo até chegar à causa do Universo? Onde e como tudo finalmente teria começado? Morando no interior, era especialmente magnífico poder observar o céu à noite. O silêncio e a imensidão. Também não era difícil compreender o que as pessoas queriam dizer quando se referiam às estrelas como algo impossível de se contar.
O tempo vai passando e vamos aceitando algumas explicações que nos são ensinadas. Para outras questões simplesmente nos contentamos em acreditar que não existem respostas. Quando nos tornamos adultos essa capacidade de admiração diante do mistério não desaparece. Mas, aprendemos a não dar a elas tanta importância e investimos em coisas mais concretas e imediatas. Consequentemente, acabamos também não compartilhando sobre esse nosso ‘encantamento’ com os nossos amigos. Afinal, podem achar que sou apenas um sonhador que vive no mundo da lua. Era coisa da minha cabeça, coisa ‘boba’ de criança.
No entanto, a cada dia mais descubro que estas não foram questões que ocuparam apenas a minha mente. Parece ser muito mais comum do que se imagina. A mente instigadora, toda a inquietação, o espírito questionador é algo natural do ser humano. Infelizmente, muitos, em vez de alimentar essa chama, acabam tentando domesticá-la e, até, apagá-la. Porém, basta começar a conversar sobre isso com as pessoas para ver que são muitos aqueles que se lembram desta fase de deslumbramento e questionamento diante da grandiosidade da vida e do Universo.
Sabemos que estamos aqui e que conseguimos vislumbrar apenas uma parte do todo. Permanece o anseio, porém, de poder enxergar, apreender, discernir o todo. Aprendemos então, como diz o teólogo Alister McGrath, que tudo o que podemos perceber são pistas ali e aqui espalhadas pelo mundo e que nos permitem conjecturar sobre o quadro geral. Talvez, entre tantas outras coisas, é também a isso que a Bíblia se refere ao declarar que “agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido” (1 Coríntios 13. 12). A nossa alma inquieta é resquício de algo que perdemos e pelo que novamente ansiamos. Que Deus nos permita continuar percebendo que “desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1. 20).
O tempo vai passando e vamos aceitando algumas explicações que nos são ensinadas. Para outras questões simplesmente nos contentamos em acreditar que não existem respostas. Quando nos tornamos adultos essa capacidade de admiração diante do mistério não desaparece. Mas, aprendemos a não dar a elas tanta importância e investimos em coisas mais concretas e imediatas. Consequentemente, acabamos também não compartilhando sobre esse nosso ‘encantamento’ com os nossos amigos. Afinal, podem achar que sou apenas um sonhador que vive no mundo da lua. Era coisa da minha cabeça, coisa ‘boba’ de criança.
No entanto, a cada dia mais descubro que estas não foram questões que ocuparam apenas a minha mente. Parece ser muito mais comum do que se imagina. A mente instigadora, toda a inquietação, o espírito questionador é algo natural do ser humano. Infelizmente, muitos, em vez de alimentar essa chama, acabam tentando domesticá-la e, até, apagá-la. Porém, basta começar a conversar sobre isso com as pessoas para ver que são muitos aqueles que se lembram desta fase de deslumbramento e questionamento diante da grandiosidade da vida e do Universo.
Sabemos que estamos aqui e que conseguimos vislumbrar apenas uma parte do todo. Permanece o anseio, porém, de poder enxergar, apreender, discernir o todo. Aprendemos então, como diz o teólogo Alister McGrath, que tudo o que podemos perceber são pistas ali e aqui espalhadas pelo mundo e que nos permitem conjecturar sobre o quadro geral. Talvez, entre tantas outras coisas, é também a isso que a Bíblia se refere ao declarar que “agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido” (1 Coríntios 13. 12). A nossa alma inquieta é resquício de algo que perdemos e pelo que novamente ansiamos. Que Deus nos permita continuar percebendo que “desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1. 20).
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Qual é o Sentido da Vida? *
Você já se perguntou se a vida tem realmente algum significado? Não é assim que às vezes tudo parece sem sentido?
As pessoas geralmente tentam dar respostas para todos os problemas. Mas, e quando um astro famoso de repente comete suicídio? E diante do fato de pessoas que aparentemente tem tudo, fama, sucesso, dinheiro, e mesmo assim terminam perdendo o controle de suas vidas e se acabam nas drogas?
É, para algumas coisas, não bastam mais verbas, mais leis e mais investimento do governo. Será que fugir, simplesmente, das grandes perguntas da vida, ajuda a resolover o problema? Afinal, a pergunta continua lá. O ser humano é alguém que vive interrogando, questionando, buscando. No fundo, nós sabemos que não é possível contentar-se com respostas baratas do tipo "amanhã poderá ser melhor". Não basta apenas o 'se sentir melhor'. Afinal, é o que todos buscam, inclusive aqueles que usam drogas e cometem suicídio. Querem sentir-se melhor. Mas, e daí???
O fato é que ninguém pode viver sem algum senso de propósito. E, é isso que nós buscamos o tempo todo. Muitos podem, inclusive, por não enxergarem um propósito na vida, inventam um. Chuck Colson nos lembra a história de Larry Walters, de 33 anos. Larry era um motorista de caminhão em um pequeno bairro numa cidade dos Estados Unidos. Todos os sábados á tarde sentava-se em sua cadeira de jardim no quintal. Ficava ali tomando sol e bebendo a sua cerveja sozinho. Entediado e, talvez pela falta de propósito, um dia Larry quis tentar algo inusitado. Sua brilhante idéia consistia em amarrar alguns balões em sua cadeira e flutuar cerca de uns trinta metros de altura. Se Larry tinha passado da conta em suas cervejinhas naquele dia não sabemos. Mas, ele queria voar sobre os quintais dos vizinhos e acenar para eles. Comprou, então, quarenta e cinco balões metereológicos de ar quente e inflou-os com hélio.
Os vizinhos até vieram ajudá-lo segurando a cadeira enquanto ele amarrava os balões. Larry pegou uma espingarda para que quando voasse muito alto pudesse estourar alguns balões de forma que não subisse mais do que os trinta metros. Larry ainda se equipou com amendoim, sanduíche de geléia e umas seis cervejas.
Quando finalmente achou que estava pronto gritou para os seus vizinhos: "Soltem!"
Eles soltaram, mas, Larry não subiu trinta metros; subiu aproximadamente três mil e seiscentos metros! E, ele não estourou nenhum balão porque estava ocupado demais agarrando-se à cadeira! Ele foi avistado primeiramente por um comandante da empresa de aviação Continental Airlines que informou imediatamente que alguém em uma cadeira de jardim havia acabado de passar pelo seu avião. Por mais de quarenta horas o aeroporto de Los Angeles desviou os voos que chegavam porque Larry Walters estava pendurado em sua cadeira de jardim a três mil e seiscentos metros de altitude.
Helicópteros foram enviados junto com todo tipo de aeronaves de resgate. Fato é que finalmente conseguiram trazer Larry de volta ao chão. Ao anoitecer, quando finalmente pousou, havia sirenes, carros de polícia com suas luzes girando, inúmeras câmeras apontadas para aquele homem enquanto ele pousava com a sua cadeira de jardim.
Em meio aos microfones empurrados em sua direção, uma pergunta:
- Você teve medo?
Os olhos de Larry estavam estatelados, do tamanho de um pires.
- Sim.
- Você faria isso novamente?
- Não.
- Por que você resolveu fazer isso?
Larry Wolters respondeu:
- Não queria apenas ficar sentado ali.
Esta é uma história real e que nos lembra um fato semelhante que terminou de forma mais trágica aqui no Brasil. O Padre Adelir de Carli, que teria se inspirado em Wolters, quis fazer algo parecido e com mais de mil balões saiu pelo ares de Paranaguá no estado do Paraná. Seu corpo só foi encontrado meses depois na costa do Rio de Janeiro.
Existe algo dentro de nós que nos diz que a vida deve ser mais. Deve haver mais do que apenas um relaxamento irracional. Algo que em nosso interior nos leva a buscar o significado da vida.
Ninguém pode viver sem um senso de propósito. De acordo com as Escrituras nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus (Genesis 1. 26, 27). E, nós sentimos essa verdade sobre nós mesmos até quando não sabemos muito bem como explicar. Este é um sentimento tão forte que quando as pessoas se desviam de Deus, elas se voltam para alguma outra coisa a fim de que a sua vida tenha sentido, pois sentem que precisam definir algum propósito para a sua existência.
A Bíblia e, especialmente os primeiros capítuos de Genesis, apresentam este propósito e estendem este significado ao nosso trabalho e atividades diárias. Orientações como cultivar a terra, dar nomes aos animais, exercer domínio, sermos cooperadores de Deus no cuidado com o planeta. Tudo o que fizermos, o nosso trabalho, expande o grande e criativo propósito de Deus. Quando você faz bem aquilo que tem para fazer, isso reflete a glória de Deus. E, o propósito de Deus pode nos sustentar nas vitórias ou nas derrotas, no desespero e na decepção, e em momentos de grande alegria. A nossa vida e o nosso trabalho realmente têm um propósito: glorificar a Deus.
A vida tem significado, afinal? SIM. E, este consiste em conhecer a Deus, glorificá-lo e retribuir todo o seu amor. Nossas desilusões, planos frustrados, namoros interrompidos, nada é capaz de abalar o propósito que Deus tem para as nossas vidas. Diante de algo que não deu certo, não é preciso desesperar, pois, é uma oportunidade de crescer e aprender mais de Deus. Somente quando compreendemos o significado mais amplo, aquele que Deus tem para toda a humanidade, saberemos lidar melhor e compreender o propósito para cada pequeno evento do nosso dia-a-dia. Quando não compreendemos o propósito maior da humanidade, o significado de nossos propósitos menores sempre se tornará distorcido e assumirá uma importância exagerada, ou estará muito aquém do que deveria.
* Este texto é uma adaptação de um trecho do livro Respostas Às Dúvidas de Seus Adolescentes de Charles Colson. Editora CPAD.
As pessoas geralmente tentam dar respostas para todos os problemas. Mas, e quando um astro famoso de repente comete suicídio? E diante do fato de pessoas que aparentemente tem tudo, fama, sucesso, dinheiro, e mesmo assim terminam perdendo o controle de suas vidas e se acabam nas drogas?
É, para algumas coisas, não bastam mais verbas, mais leis e mais investimento do governo. Será que fugir, simplesmente, das grandes perguntas da vida, ajuda a resolover o problema? Afinal, a pergunta continua lá. O ser humano é alguém que vive interrogando, questionando, buscando. No fundo, nós sabemos que não é possível contentar-se com respostas baratas do tipo "amanhã poderá ser melhor". Não basta apenas o 'se sentir melhor'. Afinal, é o que todos buscam, inclusive aqueles que usam drogas e cometem suicídio. Querem sentir-se melhor. Mas, e daí???
O fato é que ninguém pode viver sem algum senso de propósito. E, é isso que nós buscamos o tempo todo. Muitos podem, inclusive, por não enxergarem um propósito na vida, inventam um. Chuck Colson nos lembra a história de Larry Walters, de 33 anos. Larry era um motorista de caminhão em um pequeno bairro numa cidade dos Estados Unidos. Todos os sábados á tarde sentava-se em sua cadeira de jardim no quintal. Ficava ali tomando sol e bebendo a sua cerveja sozinho. Entediado e, talvez pela falta de propósito, um dia Larry quis tentar algo inusitado. Sua brilhante idéia consistia em amarrar alguns balões em sua cadeira e flutuar cerca de uns trinta metros de altura. Se Larry tinha passado da conta em suas cervejinhas naquele dia não sabemos. Mas, ele queria voar sobre os quintais dos vizinhos e acenar para eles. Comprou, então, quarenta e cinco balões metereológicos de ar quente e inflou-os com hélio.
Os vizinhos até vieram ajudá-lo segurando a cadeira enquanto ele amarrava os balões. Larry pegou uma espingarda para que quando voasse muito alto pudesse estourar alguns balões de forma que não subisse mais do que os trinta metros. Larry ainda se equipou com amendoim, sanduíche de geléia e umas seis cervejas.
Quando finalmente achou que estava pronto gritou para os seus vizinhos: "Soltem!"
Eles soltaram, mas, Larry não subiu trinta metros; subiu aproximadamente três mil e seiscentos metros! E, ele não estourou nenhum balão porque estava ocupado demais agarrando-se à cadeira! Ele foi avistado primeiramente por um comandante da empresa de aviação Continental Airlines que informou imediatamente que alguém em uma cadeira de jardim havia acabado de passar pelo seu avião. Por mais de quarenta horas o aeroporto de Los Angeles desviou os voos que chegavam porque Larry Walters estava pendurado em sua cadeira de jardim a três mil e seiscentos metros de altitude.
Helicópteros foram enviados junto com todo tipo de aeronaves de resgate. Fato é que finalmente conseguiram trazer Larry de volta ao chão. Ao anoitecer, quando finalmente pousou, havia sirenes, carros de polícia com suas luzes girando, inúmeras câmeras apontadas para aquele homem enquanto ele pousava com a sua cadeira de jardim.
Em meio aos microfones empurrados em sua direção, uma pergunta:
- Você teve medo?
Os olhos de Larry estavam estatelados, do tamanho de um pires.
- Sim.
- Você faria isso novamente?
- Não.
- Por que você resolveu fazer isso?
Larry Wolters respondeu:
- Não queria apenas ficar sentado ali.
Esta é uma história real e que nos lembra um fato semelhante que terminou de forma mais trágica aqui no Brasil. O Padre Adelir de Carli, que teria se inspirado em Wolters, quis fazer algo parecido e com mais de mil balões saiu pelo ares de Paranaguá no estado do Paraná. Seu corpo só foi encontrado meses depois na costa do Rio de Janeiro.
Existe algo dentro de nós que nos diz que a vida deve ser mais. Deve haver mais do que apenas um relaxamento irracional. Algo que em nosso interior nos leva a buscar o significado da vida.
Ninguém pode viver sem um senso de propósito. De acordo com as Escrituras nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus (Genesis 1. 26, 27). E, nós sentimos essa verdade sobre nós mesmos até quando não sabemos muito bem como explicar. Este é um sentimento tão forte que quando as pessoas se desviam de Deus, elas se voltam para alguma outra coisa a fim de que a sua vida tenha sentido, pois sentem que precisam definir algum propósito para a sua existência.
A Bíblia e, especialmente os primeiros capítuos de Genesis, apresentam este propósito e estendem este significado ao nosso trabalho e atividades diárias. Orientações como cultivar a terra, dar nomes aos animais, exercer domínio, sermos cooperadores de Deus no cuidado com o planeta. Tudo o que fizermos, o nosso trabalho, expande o grande e criativo propósito de Deus. Quando você faz bem aquilo que tem para fazer, isso reflete a glória de Deus. E, o propósito de Deus pode nos sustentar nas vitórias ou nas derrotas, no desespero e na decepção, e em momentos de grande alegria. A nossa vida e o nosso trabalho realmente têm um propósito: glorificar a Deus.
A vida tem significado, afinal? SIM. E, este consiste em conhecer a Deus, glorificá-lo e retribuir todo o seu amor. Nossas desilusões, planos frustrados, namoros interrompidos, nada é capaz de abalar o propósito que Deus tem para as nossas vidas. Diante de algo que não deu certo, não é preciso desesperar, pois, é uma oportunidade de crescer e aprender mais de Deus. Somente quando compreendemos o significado mais amplo, aquele que Deus tem para toda a humanidade, saberemos lidar melhor e compreender o propósito para cada pequeno evento do nosso dia-a-dia. Quando não compreendemos o propósito maior da humanidade, o significado de nossos propósitos menores sempre se tornará distorcido e assumirá uma importância exagerada, ou estará muito aquém do que deveria.
"Tu nos fizeste para ti mesmo, e os nossos corações não encontrarão a paz
até que repousem em ti"
(Agostinho de Hipona)
* Este texto é uma adaptação de um trecho do livro Respostas Às Dúvidas de Seus Adolescentes de Charles Colson. Editora CPAD.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Transformação da Mente
Lendo J. P. Moreland e William Lane Craig em Filosofia e Cosmovisão Cristã deparei-me com uma frase que me fez pensar: “O estudo em si mesmo é uma disciplina espiritual, e o simples ato de estudar pode mudar o eu”. No dia anterior eu conversava com alguém sobre o crescimento dos evangélicos, a intolerância religiosa, o crescimento do Islã e a maneira como os cristãos, apesar do crescimento no Brasil, muito pouco influenciarem a sociedade e, o que é pior, acabam envolvidos em escândalos que denigrem a fé cristã. E, a minha explicação ou, solução, se é que existe uma, para essa irrelevância e mau testemunho dos cristãos é falta de ‘ensino’. A maioria dos cristãos lê pouco, ou lê mal. Acabamos entrando na mesma onda da preguiça para os estudos, o que nos deixa rasos e sem capacidade de discernimento. Se por um lado as pessoas naturalmente resistem ao estudo, por outro as igrejas e suas lideranças também não se preocupam muito em incentivar e oferecer oportunidades para tal. E, assim, acabamos não refletindo sobre as questões mais profundas e não somos capazes de responder de maneira consistente aos dilemas da sociedade. Logo, a nossa insegurança nos isola em guetos onde todos falam a mesma linguagem. Tornamo-nos corporativistas. Na ânsia de nos preservarmos do mal, acabamos por nos retirar do mundo (João 17.15). A nossa ética e o nosso caráter, no entanto, escancaram que não só estamos no mundo como sequer nos livramos do mal.
Embora a minha leitura não se deparasse com nenhuma novidade, o que me chamou a atenção é que é muito raro ver nos círculos cristãos alguém, em nossos dias, apontando o estudo como uma disciplina espiritual. A obra contemporânea mais conhecida sobre as disciplinas espirituais talvez seja Celebração da Disciplina de Richard Foster. Felizmente Foster dedica um capítulo ao estudo e também o considera uma disciplina espiritual. Referindo-se a Romanos 12. 2 e Filipenses 4. 8 ele diz que “a mente é renovada quando se dedica às coisas que a transformam”. Porém, a ênfase e toda a consideração parecem recair sempre em algumas poucas disciplinas como a oração, a meditação (ou mera leitura superficial da Bíblia), o jejum ou mesmo a participação em programas religiosos. Seria isso fruto da compreensão de que algumas atividades seriam mais espirituais enquanto outras mais “mundanas”? Talvez. O dualismo espírito x matéria proveniente da filosofia grega exerce grande influência sobre a teologia cristã desde os primeiros séculos e parece longe de ser superada.
Eu poderia deduzir de tudo isso, então, que uma realidade ou um mundo transformado dependerá sempre de mentes transformadas. Porém, se a mente é um departamento separado, que não diz respeito à espiritualidade, então, ela será moldada não por Deus, mas, por aqueles que mantêm o monopólio do pensamento na cultura vigente. Não podemos ignorar, no entanto, que ideias têm consequências. A pergunta então é: as consequências que vemos à nossa volta são fruto de quais ideias? (Mateus 7. 17 e 20). Sem transformação de mentes, como seremos capazes de experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus? (Romanos 12. 2). E, sem estudo, como uma mente poderá ser transformada? Por falta de espaço para mais, finalizo sugerindo a leitura de um pequeno livro: A Mente Cristã Num Mundo Sem Deus, de James Emery White.
Embora a minha leitura não se deparasse com nenhuma novidade, o que me chamou a atenção é que é muito raro ver nos círculos cristãos alguém, em nossos dias, apontando o estudo como uma disciplina espiritual. A obra contemporânea mais conhecida sobre as disciplinas espirituais talvez seja Celebração da Disciplina de Richard Foster. Felizmente Foster dedica um capítulo ao estudo e também o considera uma disciplina espiritual. Referindo-se a Romanos 12. 2 e Filipenses 4. 8 ele diz que “a mente é renovada quando se dedica às coisas que a transformam”. Porém, a ênfase e toda a consideração parecem recair sempre em algumas poucas disciplinas como a oração, a meditação (ou mera leitura superficial da Bíblia), o jejum ou mesmo a participação em programas religiosos. Seria isso fruto da compreensão de que algumas atividades seriam mais espirituais enquanto outras mais “mundanas”? Talvez. O dualismo espírito x matéria proveniente da filosofia grega exerce grande influência sobre a teologia cristã desde os primeiros séculos e parece longe de ser superada.
Eu poderia deduzir de tudo isso, então, que uma realidade ou um mundo transformado dependerá sempre de mentes transformadas. Porém, se a mente é um departamento separado, que não diz respeito à espiritualidade, então, ela será moldada não por Deus, mas, por aqueles que mantêm o monopólio do pensamento na cultura vigente. Não podemos ignorar, no entanto, que ideias têm consequências. A pergunta então é: as consequências que vemos à nossa volta são fruto de quais ideias? (Mateus 7. 17 e 20). Sem transformação de mentes, como seremos capazes de experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus? (Romanos 12. 2). E, sem estudo, como uma mente poderá ser transformada? Por falta de espaço para mais, finalizo sugerindo a leitura de um pequeno livro: A Mente Cristã Num Mundo Sem Deus, de James Emery White.
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